Iniciei a 1ª cordada em artificial de rebites por 25m até chegar no início da fenda, inicio do maior e mais lindo diedro vertical que ví ao vivo até hoje.
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1ª enfiada, 25m em artificial A1 |
Quem continuou a 2ª enfiada que foi até embaixo de um grande teto foi o Sapo, escalada linda e com seus riscos, lances em blocos soltos e sem proteção antes chegar na segunda parada.
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2ª enfiada 45m VIIb E2 |
A 3ª cordada acredito ser a mais forte psicológicamente, sabendo como é, não dá coragem de repetir. Uma sequência negativa em agarras sem proteção por um longo trecho e virando 2 tetinhos, se cair vai direto na parada, fator 2 com fator de queda na parada. O Sapo tirou de letra esses lances, mas diz ele que não sabe se é um 4º ou um 7º grau, passou adrenado procurando alguma coisa pra proteger, muita pedra quebrando neste trecho.
A 4ª cordada alivia o fator da exposição, outra virada de teto, mais uns metros e chega num platô que dá pra sentar legal, a única parada que ficou em móvel da via. Para a repetição é obrigatório deixar uma corda fixa na P2, passa pela P3 e vai até a P4 com um móvel para conseguir voltar para as paradas no rapel.
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3ª enfiada ??? 15m E3 |
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jumariando a 3ª enfiada |
Todo esse trecho entre a 1ª parada da via até a 4ª parada foi conquistado pelo Sapo com seg do Renato, enquato eu arrumava o acampamento para a pernoite. Nesta noite o bixo pegou, a previsão era melhora no tempo, mas não foi o que aconteceu lá, a chuva nos castigou durante toda a noite, a parede ficou enxarcada nos metros finais e tivemos que abandonar a empreitada com nossos equipamentos a 100m do chão.
Uma semana depois voltamos para a parede, novamente com chuva. Aliás, choveu em todas as investidas.
Com 100m de corda fixa eu e o Sapo iniciamos a escalada já tarde, para uma investida na serra, por causa da chuva. A idéia era dormir na parede para não ter que subir pela corda em parede negativa por mais de 100m novamente. Iniciei a 5º enfiada num diedro muito lindo, olhava para baixo e via 30m de diedro e depois a base da via 100m depois do fim do diedro, muito bom para o psicológico a sensação de exposição, kkkkkkk. No final destes 30m de diedro encontrei o que mais sonhava, um platô confortável. Foram 125m de via com paradas aéreas, viradas de tetos, cordas soltas balançando, blocos que se soltavam e nem batia na parede, ia direto pro chão... Mas aliviou chegar a um platô confortável como aquele.
Neste meio tempo chega o Renato na base da via e inicia a ascenção e os trabalhos tracionando cargas para a pernoite, já era final de tarde e praticamente todo o trabalho foi com as lanternas de cabeça, sobe e desce, puxa hall-bag e tudo pronto as 9:30hs da noite. A noite foi bem confortável, pelo menos pra mim, mesmo com chuva, o platô é protegido.
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içando cargas |
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fazendo a seg do platô onde pernoitamos |
Amanheceu e o Renato assumiu a ponta da corda, neste trecho tivemos um desconforto. Já na saída do platô tinha que virar um teto e pegar um trecho em trepa mato, perdemos a visão do Renato, tranquilo, mas logo depois, com menos de 15m na enfiada, perdemos todo o contato. Ele escalou 30m e parou, ouvimos alguns gritos, não sabíamos se estava numa parada móvel, se estava sentado num clif pedindo o batedor, se podíamos julmariar... Ficamos na tensão por alguns minutos e resolvi iniciar uma ascensão pela corda dele, um puxão e nenhuma reação, uma pisada no estribo e nada, beleza, só subir. Julmariei os 30m e cheguei em outro platô muito bom com o Renato sentado com a boca na orelha curtindo o visul da serra. Esse foi o trecho mais complicado da via, ao contrário de toda a rota que seguimos, óbvia, pela fenda, neste trecho tinha que escolher por onde a via ia continuar, e o Renato acertou na mosca.
O Sapo chegando eu assumi a ponta da corda e iniciei a escalada, já ví que tinha que fazer um artificial para chegar em um diedro uns 20m acima. Iniciei por uma caneleta com proteção marginal com objetivo de atravessar para a direita em parede praticamente lisa. Como não tinha nenhuma proteção bomba eu resolvi bater um pino, e logo ví que tinha uns lugares para os pés e uma fendinha de uns 15cm de comprimento numa laca uns 4m acima, pronto, "vou mandar em livre rapaziada", se arrependimento matasse... iniciei em livre e não consegui vencer o lance, sem pensar fiz um A0 com o pé no pino, mais uns movimentos pra cima e consegui proteger com um camalot 0.3 numa laca. Dá ultima vez que ví alguém proteger numa laca de arenito não precisou nem de uma queda pra estourar tudo, o Bruno na serrinha simplesmente sentou com uma peça numa laca mais larga que esse que protegi e em segundos foi parar 8m abaixo arregalado sem saber o que tinha acontecido, sem contar do bloco que passou do meu lado. Não foi muito bom passar isso pela cabeça na hora, mas fazer o que... Me bateu o mal de Elvis na hora. Toquei mais uns 4m nuns movimentos muito fortes pra mim, no limite pra cair, e conseguir colocar outra peça, um camalot 0.4 em outro buraco, neste trecho uma queda acabaria no platô uns 10m abaixo, consegui progredir mais um pouco e fiquei confortável num agarrão. A última proteção estava no pé, mais uns movimentos e coloquei um camalot 0.5 sentei na peça confiante, foi quando ela rasgou a fenda e sacou 2 cams, foi um belo aviso, o que tinha pra baixo não ia funcionar pra nada, uma queda neste ponto seria muito complicado, cairia no platô uns 15m abaixo a 150m do chão. Não consegui mais tocar pra cima, consegui equalizar 2 peças meia boca e bati um piton que entrou só a metade e desci.
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7ª enfiada 30m VIIa/b A2 E3 |
O Renato com a cabeça fria mandou o próximo lance e não conseguiu passar o artificial em móvel, ai o Sapo tocou o restante da cordada. Já estavamos com as mãos no cume, 185m de via e um trecho todo fragmentado, muito lindo com várias fendas pela frente.
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8ª enfiada 25m VI E2 |
O Sapo continuou na ponta da corda e foi progredindo metro a metro, entrou numa chaminé e quando segurou num bloco ele se desprendeu e caiu sobre o Sapo. O bloco tinha quase 1m e imobilizou o Sapo, com muito esforço o bloco se rachou e foi ai que o Sapo conseguiu jogar umas das partes para fora e outra para dentro da chaminé. Alívio, mais 10m e cumeeeeeeeeee.
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cume |
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2º rapel |
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4º rapel |
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linha da via |
Agradeço muito aos guerreiros Sapo e Renato que não exitaram e assumiram a bronca comigo rumo ao cume do imponente Paredon.
Para repetição:
material necessário:
2 jogos de móvel similar ao camalot, peças grandes #5 e #6 ajuda muito;
3 cordas de 50m uma delas para direcionar o rapel entre a P4, P3 e P2, (pode ser um cordelete)
alguns nuts para laçar os rebites no 1º artificial;
e 500ml de cagibrina
Consideramos a via como um D5, local de acesso ruim e com pouca possibilidade de pernoite na base da via, então dormir na parede é um boa pedida pelo platô confortável e uma escalada mais tranquila. É possivel que uma dupla muito rápida consiga repetir em um dia, mas o rapel e as últimas enfiadas se torna um risco muito grande, melhor em 2 dias. Via toda em móvel com proteções dúvidosas em muitos pontos e com graduação técnica alta, mais um motivo da demora na progressão. Parede vertical e negativa. Trechos expostos de E3. Aconselhamos fazer uma parada móvel antes da P2, para que, em uma eventual queda, a parada esteja livre e evite um fator de queda nela e...só Deus sabe o que pode acontecer. A 7ª enfiada tem um trecho muito complicado, com uma sequência de proteções bem duvidosas, não sei o que pode acontecer numa queda, se sacar tudo E4, se não sacar nada E1, melhor não cair, lances de VIIa. Fora esses perrengues, diedros e tetos lindos, uma escalada incomum, só alegria e um belo visual da barragem do Rio São Bento e Vale do São Pedro.
Como é o comum, as graduações são sugestões dos conquistadores, precisa de algumas repetições para confirmar, e estamos ansiosos para ver as repetições. Bóra lá rapaziada.