quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Cerro Catedral, Frey...

Uma viagem por acaso... Todo o planejamento e estudo do local e a escalada foram feitos para uma temporada em Los Gigantes, Córdoba, Argentina. Mas deu tudo errado. Saímos, eu, Tony e Bruno de carro, chegamos em Uruguaiana, fronteira com a Argentina, conseguimos a tal da carta verde, com muito trabalho, e passamos a ponte, tudo certo, não, faltávamos passar pela imigração para pegar a autorização e quantidade de dias que poderíamos ficar na Argentina. Ai que começou o problema, o Tony só tem carteira de identidade militar, na qual não é aceita na Argentina. Corre daqui, dali e nada, não teve jeito. Viagem cancelada.
Mas depois de muita conversa e cálculos de grana e dias, resolvemos, eu e o Bruno, tocar o barco. Mas como falei, eu e o Bruno, ai não existe mais planejamento, estudos, nada. Bóra toca pra frente, ou pra cima, pra ver o que tem lá. E foi o que aconteceu, trocamos o calor de Los Gigantes pelo frio patagônico, bóra para o Frey então kbça, esse foi o planejamento, hehhehehe. 
Ai o desfeche da viajem toda foi grande, muita coisa aconteceu, muito aprendizado, novas experiências e diversão pura. Já pensou em ir para o Frey? não pensa mais então, te joga pra lá que é diversão garantida.
Escalamos 6 agulhas, agulha M2, agulha Frey, agulha Principal, agulha El Abuello, agulha La Vieja e agulha Phillipe Heron, entre 30 e 200m, altitude máxima do nível do mar 2405m.
Agradeço ao amigo Tony pelo apoio a nossa viagem através da Trilhas e Montanhas, na qual levamos ao cume de algumas agulhas, como a Principal 


Vale Encantado, tempestade de areia ao fundo 

início da trilha


Cume da M2

Bruno na 2ª cordada na agulha El Abuello

Cerro Tronador ao fundo


um trecho muito estranho na via Clemenzo, e com gelo na fenda, momentos de dúvidas sobre a linha certa da via, pois achamos apenas 1 parada das 5 que existem, heheheh. Agulha Principal

final da via Clemenzo, escaladoras na via normal atrás, na qual fizemos uma travessia e continuamos por ela até o cume da maior agulha entre as 3 que existem no cume da agulha principal. Cerro Tronador ao fundo

cume maior da agulha Principal

4ª cordada na agulha Philipe Heron, lindo trecho.

condor 

Aquelas hora de descanso no acampamento curtindo a fila de escaladores na  clássica  sinfuentes weber da agulha Frey

momentos antes da forte tempestade que pegamos no cume da Agulha La Vieja, muito frio neste momento, e estava de camisetas horas atrás. Eu na esquerda, com a cara de destruído, e Bruno no lado direito


Minha 1ª visão de todas as manhãs

Cume da agulha Phillipe Heron. Asgem presente em todas as agulhas. Bruno a esquerda, grande parceiro.



visão do caminho até o refugio Frey

Refugio Pedritas, a uma hora do Frey

Refugio Frey, visão da nossa barraca

Agulha Frey no meio com o refugio lá no cantinho, do lado esquerdo

agulha da direita é a El Abuelo, aquele biquinho que aparece no meio da Abuelo é a  M2, e lá no fundo no lado esquerdo laguna toncek e agulha Frey

Agulha M2

Agulha Principal com os primeiros raios de sol

amanhecer no vale

Bruno e Garry na seg., um sulafricano que escalamos as agulhas M2 e El Abuelo, seu forte é  alta montanha,  fez o Aconcágua e foi descansar no frey

Bruno no cume da M2

eu na ponta da corda e Garry na seg, agulha El Abuelo

El Abuello

Dia raro sem vento
Hora de ir embora


passando pelo vale encantado no bus

não lembro o nome, hehehehe
Informações sobre a viagem, dúvidas do lugar, entrem em contato, muita coisa pra escrever, hehhehehe 
sul-adventure@hotmail.com
Abraço
Filipe

domingo, 15 de janeiro de 2012

Uma temporada de escalada

Após uma temporada de inverno aprendendo a escalar, sim aprendendo, foi uma temporada dedicada 100% a abertura de novas vias, foram poucas escaladas repetindo vias. Começamos com a via Lepidópteros VIIa?? 6sup E2/E3 A2 60m no setor da serrinha e fechamos a temporada com a via Um maluco sonhador e o segredo D5 VIIa 7b E3 A2 210m no morro da mina, ambas totalmente em móvel e em puro arenito de qualidade. Essa última via que abrimos na temporada, de acordo com as pesquisas feitas e informações de grandes montanhistas brasileiros, é a maior via 100% em arenito do Brasil.

Lépidópteros,  setor Serrinha. Eu (Filipe) limpando a via na conquista 

Thiago na segunda enfiada da Lépidópteros

Um maluco sonhador e o segredo, morro da mina

Sapo mandando ver a segunda enfiada na abertura da via.

Depois de uma temporada sem repetir vias eu acabei chegando a um ponto que não tinha mais noção de que graduação estava escalando, inclusive isso acabou dificultando na hora de colocar no croqui a graduação da via que acabava de abrir, com isso continuo dizendo que essas vias abertas precisam de confirmação e muito cuidado pra não entrar numa "fria". Acabando a temporada de escalada na serra eu decidi começar a viajar, escalar em novos setores, conhecer novos estilos, e procurar vias parecidas com o que temos na serra pra tentar acertar as graduações.

                                              Setor Braço esquerdo, Corupá
setor 3, São Luiz do Purunã

Purunã

Canto Grande, Bombinhas

Bombinhas
          Acabei chegando a conclusão que as vias aqui na serra são muito mais exigentes, nossas paredes de arenito só oferece linhas pra escalada onde a parede quase não molha, ou seja, se a parede é positiva acaba acumulando restos de plantas, por sempre ter mata nos cumes, e esse acúmulo com a chuva que é quase diária se transforma em mato, resumindo, as linhas limpas e perfeitas são bem verticais ou negativa, e como o maior potencial são as fendas que temos, o bicho pega mais ainda. São fendas contínuas que nunca vi no Brasil, poucos pontos de descanso, quase não existe platôs, e o psicológico tem que estar trabalhando bem.
 Diferente de muitos setores também são os acessos. São escaladas com longa caminhada, dentro de canions, enquanto o guia escala o segue está de costas pra ele curtindo o visual, é tudo muito grande, o rio lááá embaixo se torna um risquinho, cachoeiras se espalham pra todo canto, a fauna se mostra inocente diante do desconhecido, nós, normal encontrar grandes aves raras em fendas, macacos em grandes bandos se escondendo atrás de galhos tentando entender o que é aquilo que está na parede, cobras tomando banho do sol ao lado da barraca, restos de animais  com sinal de ataque de felinos... Com isso tudo já acabei indo para a serra e a escalada ficou em segundo plano, ficar deitado no chão ouvindo os pássaros cantando e os barulhos de gravetos quebrando ao seu redor é quase um ritual de toda a manhã que acordamos antes do sol nascer, as vezes entramos em transe a passamos horas imóvel, viajando, depois de tempo lembramos, "ah, temos que escalar".










Mas o que diferencia dos outros setores Brasil afora não é só o lugar, com todas as pesquisas que fiz, e com as viagens, não achei nenhum setor com vias estilo as serranas, não achei fendas contínuas, longas e verticais, não achei no granito, no basalto, no conglomerado e no arenito também, dizem que em Piraí do sul tem fendas destes estilos, pelas fotos que vi é por ai mesmo, mas a parede lá chega até 50m. Então acabou não ajudando muito essas viagens pra acertar as graduações das vias que conquistamos na serra. Cada vez mais reforço o convite pra escaladores experientes virem escalar por aqui e dar uma mão nas vias, seja abrindo novas rotas, repetindo as abertas, dando dicas...
Em busca de aprimorar as qualidades das conquistas e melhorar a escalada, além de aproveitar pra conseguir realmente escalar no verão, dia 27 deste mês eu, Tony e o parceiro de grandes conquistas Bruno, vamos para argentina, o destino inicial é Córdoba, Los Gigantes, mas vai depender do que tiver por lá, se vai nos satisfazer as poucas linhas em móvel que tem, caso o contrário Los Arenales é o próximo destino. Temos poucos dias pra escalar lá e vamos de carro, então queremos evitar ficar muito tempo na estrada, o que quase que impede de irmos para Arenales. Mas nada é muito certo, vai depender do espírito da montanha, vamos deixar ela nos levar, seja pra onde for.
Los Gigantes

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Escalada em Canto Grande e oficina de alto resgate

Saí de casa sábado na madruga, passei na casa do Bode e partimos para Bombinhas, no caminho pegamos, o parceirão de muitas cordadas e conquistas, Bruno, para se juntar na diversão. O objetivo da viagem era a oficina de alto resgate que eu e o Bode fizemos no domingo, mas aproveitando a viagem, o Bruno foi junto pra escalar sábado o dia todo nas paredes de Canto Grande.































No domingo tivemos a oficina de alto resgate ministrado por 2 grandes montanhistas catarinense, Daniel Fernandes e Daniel Casas, oportunidade imperdível poder adquirir novos conhecimentos e trocar ideias com figuras ilustres como eles. Além de muitas técnicas praticadas e discutidas, as boas gargalhadas não faltaram.