domingo, 15 de janeiro de 2012

Uma temporada de escalada

Após uma temporada de inverno aprendendo a escalar, sim aprendendo, foi uma temporada dedicada 100% a abertura de novas vias, foram poucas escaladas repetindo vias. Começamos com a via Lepidópteros VIIa?? 6sup E2/E3 A2 60m no setor da serrinha e fechamos a temporada com a via Um maluco sonhador e o segredo D5 VIIa 7b E3 A2 210m no morro da mina, ambas totalmente em móvel e em puro arenito de qualidade. Essa última via que abrimos na temporada, de acordo com as pesquisas feitas e informações de grandes montanhistas brasileiros, é a maior via 100% em arenito do Brasil.

Lépidópteros,  setor Serrinha. Eu (Filipe) limpando a via na conquista 

Thiago na segunda enfiada da Lépidópteros

Um maluco sonhador e o segredo, morro da mina

Sapo mandando ver a segunda enfiada na abertura da via.

Depois de uma temporada sem repetir vias eu acabei chegando a um ponto que não tinha mais noção de que graduação estava escalando, inclusive isso acabou dificultando na hora de colocar no croqui a graduação da via que acabava de abrir, com isso continuo dizendo que essas vias abertas precisam de confirmação e muito cuidado pra não entrar numa "fria". Acabando a temporada de escalada na serra eu decidi começar a viajar, escalar em novos setores, conhecer novos estilos, e procurar vias parecidas com o que temos na serra pra tentar acertar as graduações.

                                              Setor Braço esquerdo, Corupá
setor 3, São Luiz do Purunã

Purunã

Canto Grande, Bombinhas

Bombinhas
          Acabei chegando a conclusão que as vias aqui na serra são muito mais exigentes, nossas paredes de arenito só oferece linhas pra escalada onde a parede quase não molha, ou seja, se a parede é positiva acaba acumulando restos de plantas, por sempre ter mata nos cumes, e esse acúmulo com a chuva que é quase diária se transforma em mato, resumindo, as linhas limpas e perfeitas são bem verticais ou negativa, e como o maior potencial são as fendas que temos, o bicho pega mais ainda. São fendas contínuas que nunca vi no Brasil, poucos pontos de descanso, quase não existe platôs, e o psicológico tem que estar trabalhando bem.
 Diferente de muitos setores também são os acessos. São escaladas com longa caminhada, dentro de canions, enquanto o guia escala o segue está de costas pra ele curtindo o visual, é tudo muito grande, o rio lááá embaixo se torna um risquinho, cachoeiras se espalham pra todo canto, a fauna se mostra inocente diante do desconhecido, nós, normal encontrar grandes aves raras em fendas, macacos em grandes bandos se escondendo atrás de galhos tentando entender o que é aquilo que está na parede, cobras tomando banho do sol ao lado da barraca, restos de animais  com sinal de ataque de felinos... Com isso tudo já acabei indo para a serra e a escalada ficou em segundo plano, ficar deitado no chão ouvindo os pássaros cantando e os barulhos de gravetos quebrando ao seu redor é quase um ritual de toda a manhã que acordamos antes do sol nascer, as vezes entramos em transe a passamos horas imóvel, viajando, depois de tempo lembramos, "ah, temos que escalar".










Mas o que diferencia dos outros setores Brasil afora não é só o lugar, com todas as pesquisas que fiz, e com as viagens, não achei nenhum setor com vias estilo as serranas, não achei fendas contínuas, longas e verticais, não achei no granito, no basalto, no conglomerado e no arenito também, dizem que em Piraí do sul tem fendas destes estilos, pelas fotos que vi é por ai mesmo, mas a parede lá chega até 50m. Então acabou não ajudando muito essas viagens pra acertar as graduações das vias que conquistamos na serra. Cada vez mais reforço o convite pra escaladores experientes virem escalar por aqui e dar uma mão nas vias, seja abrindo novas rotas, repetindo as abertas, dando dicas...
Em busca de aprimorar as qualidades das conquistas e melhorar a escalada, além de aproveitar pra conseguir realmente escalar no verão, dia 27 deste mês eu, Tony e o parceiro de grandes conquistas Bruno, vamos para argentina, o destino inicial é Córdoba, Los Gigantes, mas vai depender do que tiver por lá, se vai nos satisfazer as poucas linhas em móvel que tem, caso o contrário Los Arenales é o próximo destino. Temos poucos dias pra escalar lá e vamos de carro, então queremos evitar ficar muito tempo na estrada, o que quase que impede de irmos para Arenales. Mas nada é muito certo, vai depender do espírito da montanha, vamos deixar ela nos levar, seja pra onde for.
Los Gigantes

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Escalada em Canto Grande e oficina de alto resgate

Saí de casa sábado na madruga, passei na casa do Bode e partimos para Bombinhas, no caminho pegamos, o parceirão de muitas cordadas e conquistas, Bruno, para se juntar na diversão. O objetivo da viagem era a oficina de alto resgate que eu e o Bode fizemos no domingo, mas aproveitando a viagem, o Bruno foi junto pra escalar sábado o dia todo nas paredes de Canto Grande.































No domingo tivemos a oficina de alto resgate ministrado por 2 grandes montanhistas catarinense, Daniel Fernandes e Daniel Casas, oportunidade imperdível poder adquirir novos conhecimentos e trocar ideias com figuras ilustres como eles. Além de muitas técnicas praticadas e discutidas, as boas gargalhadas não faltaram.


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Festival de escalada em São Luiz do Purunã

Pra quem gosta de escalada em móvel o setor 3 em São Luiz do Purunã é uma boa pedida. Mas para quem quer escalar em estilo tradicional com todo conforto de escalar em uma falésia, o setor 3 é o lugar perfeito.
Saí de Içara as 00:00hs de sexta feira, passei por Garopaba e peguei o Bruno, parceiro de algumas indiadas.
Viramos a noite na estrada e cedinho chegamos no local pra deixar o carro, tivemos apenas um erro de
percurso que resultou na passagem por 2 vezes no caríssimo pedágio das rodovias do PR. O segundo erro de percurso agora foi pra na trilha de acesso ao setor, são 3 trilhas que descem até a base das vias depois de 40min. de caminhada, mas o problema é que pegamos a pior trilha, a trilha não aconselhada para a descida, ehehehehe. A primeira vista do setor não nos agradou, não conseguíamos nos encontrar no setor, já que são vários setores um ao lado do outro e cada um com seu nome, e quando nos encontrávamos o problema era achar a linhas das vias, pinos é raro lá, paradas geralmente impossível de ver, mas conseguimos identificar 2 linhas onde deu pra nos divertir um pouco, até entrarmos numa via fácil que acredito não ser nem via ainda, hehhehe, no croqui dizia ser um 5º, mas entramos na linha errada com algumas proteções marginais e paramos debaixo de um negativo liso com uns 2 buracos que cabiam 2 dedos, a linha tinha cara de um 8º, ai o bixo pegou pra limpar a via sem deixar nada na parede, mas deu tudo certo.
No sábado a coisa melhorou bastante, a galera chegou, fomos se enturmando e se achando no setor, ai foi só alegria, escalava uma linha, descia andava 5m para o lado, escalava outra linha com um estilo totalmente diferente, parava batia um papo, curtia a galera malhando as vias mais fortes, curtia as quedas que passavam de 8m numa peça móvel , escalava mais um pouco, e assim foi até domingo a tarde, diversão pura e alto astral.
vale muito a pena escalar no setor, mesmo no meu caso que foram mais de 1000km de viagem, se tiver a oportunidade vão mesmo. Eu vou voltar em breve.












segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Novo setor de escalada

Depois de tanto tarar aqueles lindos totens, resolvemos ir lá e ver o que dava, e o resultado foi fenomenal, fendas perfeitas, muitas linhas de escalada móvel e fixo em um conjunto de paredes e totens de arenito singular.
Desta vez eu não vou falar muito, vou deixar que as fotos falam por mim.

Filipe conquita do totem do urubú


se alguém estivesse do outro lado do totem eu conseguiria segurar na mão por este lado

Aline





Davi testando a via rumo ao cume

Davi


cume do totem do urubú, totem principal ao fundo

Sharma
Rafael (sharma)


Filipe Renato e Davi no cume do totem do urubú



Geferson no totem principal


Nando na P1 do totem principal

Nando na P1 e Geferson na chaminé
Nando 

Davi, mais uma fenda conquistada no setor
Davi


É um porraço