quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Festival de escalada em São Luiz do Purunã

Pra quem gosta de escalada em móvel o setor 3 em São Luiz do Purunã é uma boa pedida. Mas para quem quer escalar em estilo tradicional com todo conforto de escalar em uma falésia, o setor 3 é o lugar perfeito.
Saí de Içara as 00:00hs de sexta feira, passei por Garopaba e peguei o Bruno, parceiro de algumas indiadas.
Viramos a noite na estrada e cedinho chegamos no local pra deixar o carro, tivemos apenas um erro de
percurso que resultou na passagem por 2 vezes no caríssimo pedágio das rodovias do PR. O segundo erro de percurso agora foi pra na trilha de acesso ao setor, são 3 trilhas que descem até a base das vias depois de 40min. de caminhada, mas o problema é que pegamos a pior trilha, a trilha não aconselhada para a descida, ehehehehe. A primeira vista do setor não nos agradou, não conseguíamos nos encontrar no setor, já que são vários setores um ao lado do outro e cada um com seu nome, e quando nos encontrávamos o problema era achar a linhas das vias, pinos é raro lá, paradas geralmente impossível de ver, mas conseguimos identificar 2 linhas onde deu pra nos divertir um pouco, até entrarmos numa via fácil que acredito não ser nem via ainda, hehhehe, no croqui dizia ser um 5º, mas entramos na linha errada com algumas proteções marginais e paramos debaixo de um negativo liso com uns 2 buracos que cabiam 2 dedos, a linha tinha cara de um 8º, ai o bixo pegou pra limpar a via sem deixar nada na parede, mas deu tudo certo.
No sábado a coisa melhorou bastante, a galera chegou, fomos se enturmando e se achando no setor, ai foi só alegria, escalava uma linha, descia andava 5m para o lado, escalava outra linha com um estilo totalmente diferente, parava batia um papo, curtia a galera malhando as vias mais fortes, curtia as quedas que passavam de 8m numa peça móvel , escalava mais um pouco, e assim foi até domingo a tarde, diversão pura e alto astral.
vale muito a pena escalar no setor, mesmo no meu caso que foram mais de 1000km de viagem, se tiver a oportunidade vão mesmo. Eu vou voltar em breve.












segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Novo setor de escalada

Depois de tanto tarar aqueles lindos totens, resolvemos ir lá e ver o que dava, e o resultado foi fenomenal, fendas perfeitas, muitas linhas de escalada móvel e fixo em um conjunto de paredes e totens de arenito singular.
Desta vez eu não vou falar muito, vou deixar que as fotos falam por mim.

Filipe conquita do totem do urubú


se alguém estivesse do outro lado do totem eu conseguiria segurar na mão por este lado

Aline





Davi testando a via rumo ao cume

Davi


cume do totem do urubú, totem principal ao fundo

Sharma
Rafael (sharma)


Filipe Renato e Davi no cume do totem do urubú



Geferson no totem principal


Nando na P1 do totem principal

Nando na P1 e Geferson na chaminé
Nando 

Davi, mais uma fenda conquistada no setor
Davi


É um porraço

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Cume no Morro da Mina

visão geral da parede

     Foi tanta investida nesta parede, comparada a outras indiadas, que não sei por onde começar. Então, vou começar mais da frente, se for do começo é história demais. Vou falar sobre a via, desde a hora que tirei os pés do chão.
Iniciei a 1ª cordada em artificial de rebites por 25m até chegar no início da fenda, inicio do maior e mais lindo diedro vertical que ví  ao vivo até hoje.
1ª enfiada, 25m em artificial A1


Quem continuou a 2ª enfiada que foi até embaixo de um grande teto foi o Sapo, escalada linda e com seus riscos, lances em blocos soltos e sem proteção antes chegar na segunda parada.

2ª enfiada 45m VIIb E2



A 3ª cordada acredito ser a mais forte psicológicamente, sabendo como é, não dá coragem de repetir. Uma sequência negativa em agarras sem proteção por um longo trecho e virando 2 tetinhos, se cair vai direto na parada, fator 2 com fator de queda na parada. O Sapo tirou de letra esses lances, mas diz ele que não sabe se é um 4º ou um 7º grau, passou adrenado procurando alguma coisa pra proteger, muita pedra quebrando neste trecho.
 A 4ª cordada alivia o fator da exposição, outra virada de teto, mais uns metros e chega num platô que dá pra sentar legal, a única parada que ficou em móvel da via. Para a repetição é obrigatório deixar uma corda fixa na P2, passa pela P3 e vai até a P4 com um móvel para conseguir voltar para as paradas no rapel.

3ª enfiada ??? 15m E3

jumariando a 3ª enfiada
 Todo esse trecho entre a 1ª parada da via até a 4ª parada foi conquistado pelo Sapo com seg do Renato, enquato eu arrumava o acampamento para a pernoite. Nesta noite o bixo pegou, a previsão era melhora no tempo, mas não foi o que aconteceu lá, a chuva nos castigou durante toda a noite, a parede ficou enxarcada nos metros finais e tivemos que abandonar a empreitada com nossos equipamentos a 100m do chão.
Uma semana depois voltamos para a parede, novamente com chuva. Aliás, choveu em todas as investidas.
Com 100m de corda fixa eu e o Sapo iniciamos a escalada já tarde, para uma investida na serra, por causa da chuva. A idéia era dormir na parede para não ter que subir pela corda em parede negativa por mais de 100m novamente. Iniciei a 5º enfiada num diedro muito lindo, olhava para baixo e via 30m de diedro e depois a base da via 100m depois do fim do diedro, muito bom para o psicológico a sensação de exposição, kkkkkkk. No final destes 30m de diedro encontrei o que mais sonhava, um platô confortável. Foram 125m de via com paradas aéreas, viradas de tetos, cordas soltas balançando, blocos que se soltavam e nem batia na parede, ia direto pro chão... Mas aliviou chegar a um platô confortável como aquele.
 Neste meio tempo chega o Renato na base da via e inicia a ascenção e os trabalhos tracionando cargas para a pernoite, já era final de tarde e praticamente todo o trabalho foi com as lanternas de cabeça, sobe e desce, puxa hall-bag e tudo pronto as 9:30hs da noite. A noite foi bem confortável, pelo menos pra mim, mesmo com chuva, o platô é protegido.
içando cargas

fazendo a seg do platô onde pernoitamos

Amanheceu e o Renato assumiu a ponta da corda, neste trecho tivemos um desconforto. Já na saída do platô tinha que virar um teto e pegar um trecho em trepa mato, perdemos a visão do Renato, tranquilo, mas logo depois, com menos de 15m na enfiada, perdemos todo o contato. Ele escalou 30m e parou, ouvimos alguns gritos, não sabíamos se estava numa parada móvel, se estava sentado num clif pedindo o batedor, se podíamos julmariar... Ficamos na tensão por alguns minutos e resolvi iniciar uma ascensão pela corda dele, um puxão e nenhuma reação, uma pisada no estribo e nada, beleza, só subir. Julmariei os 30m e cheguei em outro platô muito bom com o Renato sentado com a boca na orelha curtindo o visul da serra. Esse foi o trecho mais complicado da via, ao contrário de toda a rota que seguimos, óbvia, pela fenda, neste trecho tinha que escolher por onde a via ia continuar, e o Renato acertou na mosca.
 O Sapo chegando eu assumi a ponta da corda e iniciei a escalada, já ví que tinha que fazer um artificial para chegar em um diedro uns 20m acima. Iniciei por uma caneleta com proteção marginal com objetivo de atravessar para a direita em parede praticamente lisa. Como não tinha nenhuma proteção bomba eu resolvi bater um pino, e logo ví que tinha uns lugares para os pés e uma fendinha de uns 15cm de comprimento numa laca uns 4m acima, pronto, "vou mandar em livre rapaziada", se arrependimento matasse... iniciei em livre e não consegui vencer o lance, sem pensar fiz um A0 com o pé no pino, mais uns movimentos pra cima e consegui proteger com um camalot 0.3 numa laca. Dá ultima vez que ví alguém proteger numa laca de arenito não precisou nem de uma queda pra estourar tudo, o Bruno na serrinha simplesmente sentou com uma peça numa laca mais larga que esse que protegi e em segundos foi parar 8m abaixo arregalado sem saber o que tinha acontecido, sem contar do bloco que passou do meu lado. Não foi muito bom passar isso pela cabeça na hora, mas fazer o que... Me bateu o mal de Elvis na hora. Toquei mais uns 4m nuns movimentos muito fortes pra mim, no limite pra cair, e conseguir colocar outra peça, um camalot 0.4 em outro buraco, neste trecho uma queda acabaria no platô uns 10m abaixo, consegui progredir mais um pouco e fiquei confortável num agarrão. A última proteção estava no pé, mais uns movimentos e coloquei um camalot 0.5 sentei na peça confiante, foi quando ela rasgou a fenda e sacou 2 cams, foi um belo aviso, o que tinha pra baixo não ia funcionar pra nada, uma queda neste ponto seria muito complicado, cairia no platô uns 15m abaixo a 150m do chão. Não consegui mais tocar pra cima, consegui equalizar 2 peças meia boca e bati um piton que entrou só a metade e desci.
7ª enfiada 30m VIIa/b A2 E3 


O Renato com a cabeça fria mandou o próximo lance e não conseguiu passar o artificial em móvel, ai o Sapo tocou o restante da cordada. Já estavamos com as mãos no cume, 185m de via e um trecho todo fragmentado, muito lindo com várias fendas pela frente.
8ª enfiada 25m VI E2


O Sapo continuou na ponta da corda e foi progredindo metro a metro, entrou numa chaminé e quando segurou num bloco ele se desprendeu e caiu sobre o Sapo. O bloco tinha quase 1m e imobilizou o Sapo, com muito esforço o bloco se rachou e foi ai que o Sapo conseguiu jogar umas das partes para fora e outra para dentro da chaminé. Alívio, mais 10m e cumeeeeeeeeee.

cume


2º rapel 


4º rapel


linha da via



Agradeço muito aos guerreiros Sapo e Renato que não exitaram e assumiram a bronca comigo rumo ao cume  do imponente Paredon.

Para repetição:
material necessário:
2 jogos de móvel similar ao camalot, peças grandes #5 e #6 ajuda muito;
3 cordas de 50m uma delas para direcionar o rapel entre a P4, P3 e P2, (pode ser um cordelete)
alguns nuts para laçar os rebites no 1º artificial;
e 500ml de cagibrina
Consideramos a via como um D5, local de acesso ruim e com pouca possibilidade de pernoite na base da via, então dormir na parede é um boa pedida pelo platô confortável e uma escalada mais tranquila. É possivel que uma dupla muito rápida consiga repetir em um dia, mas o rapel e as últimas enfiadas se torna um risco muito grande, melhor em 2 dias. Via toda em móvel com proteções dúvidosas em muitos pontos e com graduação técnica alta, mais um motivo da demora na progressão. Parede vertical e negativa. Trechos expostos de E3. Aconselhamos fazer uma parada móvel antes da P2, para que, em uma eventual queda, a parada esteja livre e evite um fator de queda nela e...só Deus sabe o que pode acontecer. A 7ª enfiada tem um trecho muito complicado, com uma sequência de proteções bem duvidosas, não sei o que pode acontecer numa queda, se sacar tudo E4, se não sacar nada E1, melhor não cair, lances de VIIa. Fora esses perrengues, diedros e tetos lindos, uma escalada incomum, só alegria e um belo visual da barragem do Rio São Bento e Vale do São Pedro.

Como é o comum, as graduações são sugestões dos conquistadores, precisa de algumas repetições para confirmar, e estamos ansiosos para ver as repetições. Bóra lá rapaziada.







segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Enfim o cume foi atingido

Depois de muito esforço, perrengues, planejamento e tudo que tem direito, o cume do morro da mina foi atingido pela 1ª vez. Eu, Renato e Sapo chegamos no cume, dos 200m de parede praticamente negativa, neste último domingo 02/10 por volta das 3hs da tarde, depois de ter dormido na parede. Foram 8 cordadas atingindo 210m de via praticamente toda em móvel. Para mais infos da via não percam o II Festival do Litoral Sul Catarinense que será realizado em Laguna este final de semana dia 08 e 09/10.







terça-feira, 6 de setembro de 2011

Serrinha movimentada e com “nova via”





O nosso amigo Nando grilo me intimou para uma escalada na serra, logicamente que na hora veio a idéia de apresentar o setor da serrinha para ele.  Divulguei  pra galera convidando todos para ir pro setor, o parceraço de ponta de corda, Bruno da garopaba vertical, já colocou o nome  na lista, mais alguns amigos da ASGEM se programaram e sábado 6 da matina entramos no cânion.  Já no setor nos dividimos em duas duplas, eu levei o Nando para a via falconídeo e o Bruno e Tony foram para transamazônica, os 3 não tinham escalado essas vias ainda.


Nando mandando ver na Falconídeo

Logo depois chega o Bongiolo e o Sid, ambos não conheciam o setor Também e pela cara gostaram hehhehehe.  Passamos por um ouriço destroçado por um felino, provavelmente, e fomos, eu e o Bruno, para uma nova rota ao lado do acampamento enquanto o Bongiolo, depois de repetir a falconídeo, e o Nando entraram na transamazônica. Com essas repetições da transamazônica cheguei à conclusão que as vias precisam de mais visitas, enquanto eu e o Sapo discutíamos, na conquista, se a transamazônica era um 5º ou 5sup a rapaziada achou que é um 6sup, teve até abandono de peças na parede por não conseguir passar o lance, e desistiram da via, que coisa não. Depois dessa, da repetição da lepidópteros, em outra ocasião, e a repetição da avalanche, chegaram a conclusão de uma nova graduação, a graduação serrana, e já deixaram um alerta, se cuidem com os 6º serrano kkkkkk. Mas ainda acredito que as graduações não estão tão baixas assim, falta se aclimatar um pouco com as escaladas na serra, ou estão mesmo, na dúvida, venha conhecer o setor, as vias precisam de repetições.










Créditos: Nando



Nando na Trasamazônica

depois do crux



Mas voltando ao foco, eu e o Bruno entramos numa linha animal ao lado do acampamento, a idéia foi fazer um artificial numa fenda em diagonal negativa muito linda. Mas vimos que a linha pode ser escalada em livre, mas não foi, deve ser algo em torno de 8º ou 9º grau, apenas um trecho tem que ser artificial com colocações de pítons, rurps e peckers, quem sabe um nut tbm.


 O Bruno tocou 20m fez uma parada em móvel e subi limpando, parei um pouco abaixo numa arvore mais confortável passei a parada pra baixo,e  o Bruno tocou mais 25m até chegar num chaminé muito lindo com fenda no fundo. Até ai tudo certo, apenas um vôo de uns 4m do Bruno numa peça que sacou. Nessa parada tivemos uma dúvida, estávamos a 45m do chão em linha reta, a via estava com 55m e não tinha mais como voltar pra linha da saída por causa do diagonal, até o momento nenhum pino batido. Tínhamos mais 15m de via até chegar num teto fendado, se virar o teto não tem mais volta, só cume, se parar embaixo do teto a corda não ia chegar no chão, estávamos com uma de 50m e outra de 60m, o tempo estava curto pra continuar a conquista pois tínhamos que escalar a transamazônica ainda pra recuperar as peças que ficaram na parede. Nessa parada eu e o Bruno estávamos sobre uma arvore um pouco seca, mas a parada estava solta, sem pressão alguma, ficamos na dúvida sobre o que fazer e no fim resolvemos parar por ali mesmo  e continuar na próxima investida. Aí que veio o problema, estávamos em dois na árvore, resolvemos tirar o peso de uma pessoa enquanto o outro rapelava pela árvore. Começamos a se arrumar e do nada a árvore vem pra baixo e quebra. E ficamos pela parada móvel, foi ai que surgiu o nome da via, NAS MÃOS DE DEUS, não pensamos duas vezes, deixamos a parada móvel com uma corda fixa lá para a próxima investida.







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