quarta-feira, 27 de julho de 2011

Godah, a terra das fendas perfeitas

Depois de um belo tempo de molho devido as chuvas, ou compromissos ou falta de parceria, voltei a escalar neste fim de semana passado. Fiquei sabendo que o cara que abriu o setor Godah, Santo Antonio, Treviso, estava vindo pra cá. Desde o final do verão o Zig se mudou pro norte do estado e eu não escalei mais com ele,
aproveitei a oportunidade da vinda pra cá e fui conhecer um pouco mais do setor Godah. Tinha escalado apenas uma vez lá e foi nas pressas, desta vez deu pra conhecer melhor o setor e seu potêncial. Estavamos numa galera animada, Zig, Aline, Marcio (Jaraguá do Sul), Elias, Bode, Thiago, Rafael e namorada, muita escalada, dedos ralados dos entalamentos na via gringa, falando em via gringa, parabéns ao Thiago que mandou muito bem a via, com direito a esticão e uma queda onde entortou o eixo do meu 0.5, hehehhehe, fazer o que né, e falando na via gringa, mais uma vez vou para o setor e não escalo a via, até tentei, mas nem cheguei na fenda, puxei a corda deixando as peças na parede, me encordo, coloco a sapatilha e toco pra cima, costurei a 1ª peça, costurei a 2ª, fui passando por ela em movimentos fáceis, rindo e conversando com a galera, do nada meu pé escorrega no limo que tinha na parede úmida e o voo é certo, uma queda sem esperar e traiçoeira, a peça sacou e fui direto pro chão, por sorte só os dedos da mão ralados e o coração que foi na boca e voltou.

primeiros metros da Jamais chegará a godah VIIa


Crux da via, fenda para micro friends


arco voltaico, fenda beeem estreita

Tathu na via gringa

acampamento

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Vídeo Setor da Serrinha


Vídeo apresentado no 3º Encontro Sul Catarinense de Escalada e Montanhismo que aconteceu no final de semana do dia 11 e 12 de junho. Passei algumas informações sobre a abertura do setor da Serrinha, o trabalho que está sendo feito e as vias abertas. Veja o video aqui

Setor de escalada tradicional da Serrinha from Filipe on Vimeo.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Um verdadeiro kinder ovo.

O cara não tinha "engolido" direito o que aconteceu no dia que foi conhecer o setor no Canion da Serrinha, depois de passar o final de semana inteiro de molho no acampamento, enquanto eu e o Sapo conquistava uma via, por ter perdido uma unha ainda conhecendo as bases das vias. Menos de um mês depois o Bruno retornou pro setor, mas a serra é um verdadeiro kinder ovo, iniciamos uma conquista em móvel, abrimos 45m numa laca perfeita, os primeiros 20m eram numa fenda larga um off-with e tínhamos, nossa sorte, 1 peça #6 e 2 #5 onde deu pra tocar esse trecho, logo na saida da P1 uma chaminé estreita, a peça #6 entra só no final uns 4m acima, dali pra frente mais peças grandes novamente. O Bruno tocou 25m depois da P1, uma cordada linda de 4sup com um crux de 5sup, um verdadeiro passeio em móvel.


conquistar vias na serra é mais ou menos isso.




início da via, desde baixo com peças grandes




Bruno repetindo a 1ª cordada, deve ser um 7ºgrau

1ª parada


Saída da segunda cordada


Um verdadeiro parque de diversão

 Maaas, estávamos escalando na serra, e o tempo que parecia estar firme, fechou rapidamente, o Bruno desceu, pra eu bater a parada, como ele parou no meio da laca eu tinha que subir mais uns 4m e sair fora dela para poder bater uma parada, dali pra frente tem que ser proteções fixas, a fenda acaba.
Mas antes mesmo de eu começar a subir a chuva chegou forte, tive que escalar mesmo com chuva, as peças estavam todas na parede, não consegui passar para fora da laca, já estava escorrendo água da parede, a sapata não ficava em mais nada, tive que rapelar numa "árvore" com back-up nas peças de baixo.
Parede já encharcada pela chuva

 Saímos as pressas da parede, e como sempre, tem suas surpresas na serra, nunca ví tanta água por metro quadrado, a chuva não parou até segunda feira pela manhã, digo até segunda pela manhã pois não conseguimos sair do canion já que boa parte da trilha é pelo rio. Mesmo com chuva durante todo o domingo conseguimos escalar 2 vias que ficam protegidas da chuva, na verdade boa parte das vias da serrinha não chove devido aos tetos e negativos.
Segunda feira chegamos no carro no início da tarde e fomos surpreendidos com o meu carro que arrombaram. Logo depois mais uma surpresa junto com um alívio, Tony, Marlon e um bombeiro estavam entrando no canion para saber porque não voltamos domingo. Surpresa por não esperar um possível resgate, alívio por saber que estamos mais seguros assim com uma resposta rápida em caso da real necessidade de um resgate na serra. Agradeço a Aline pelo contato com o Tony e a organização dos envolvidos na operação pela resposta rápida, e espero nunca precisar de vocês, kkkkkkkkk.
Mais informações sobre a mobilização do resgate em: http://tonyprovesanoescaladas.blogspot.com/


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Reforma no abrigo de montanha São Pedro

Fonte: www.serrageral.com
Neste último sábado, dia 07 de maio de 2011 a ASGEM se reuniu mais uma vez no abrigo de montanha Tropas de São Pedro, desta vez com o nobre intuito de limpar, organizar e reformar sua estrutura que vem a muito tempo sendo degradada.
A intenção da ASGEM é dar a devida manutenção ao abrigo não só para uso próprio mas também para servir de apoio a tropeiros, visitantes ou caminhantes que venham a passar por ali. Fica localizado na Trilha dos Tropeiros, que já serviu antigamente como via de comunicação dos campos de cima da serra com a planície litorânea e que é ponto estratégico de parada para quem hoje se aventura a fazer este mágico caminho.
Para esta empreitada foi necessário fazer uma caminhada de cerca de 1 hora carregando ferramentas, comida, água e muita disposição. Foi reativada a bica d água, alinhado o assoalho, recolhido alguns quilos de lixo, recolocada a porta, roçado a trilha de acesso e o pátio do abrigo, reaberta nova trilha que dá acesso as vias de escalada, entre outras funções.
O entrosamento da galera e a energia que fluiu no local tornou este dia de trabalho em uma grande diversão, com direito a “carreteiro de sardinha” e tudo, rsrs, parabéns Ana, teu carreteiro estava demais.
Em uma futura investida, marcada para o dia 28/05, serão ainda recolocadas telhas, plantado mudas de palmeira no pátio e trilha de acesso, entre outras ações, ficando aqui um convite para quem não teve a oportunidade de ir desta vez, comparecer na próxima que será com acampamento de confraternização.
A ASGEM espera que as pessoas que venham a utilizar o local como ponto de apoio ajudem a preservá-lo, levando seu lixo embora, não deixando restos de alimentos no local e não fazendo fogo em locais desapropriados.
Agradecemos a boa vontade de todos que participaram deste mutirão e aos que por algum motivo não puderam estar lá mas que emanaram boas energias para que este evento fosse realizado!



                                       
arrumando o nível do assoalho
antes
depois
galera reunida para a foto clássica



        
        mais de 20kl de lixo nas costas e mais de 200m de parede aos fundos

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Transamazônica

A previsão era de sol com chuva, frio e calor, eu e o Sapo saímos na 5ª feira início do feriado de páscoa as 5 da madruga em direção ao Cânion da Serrinha. O tempo estava bom em Içara, mas tinha uma tempestade de raios na região da Serra, chegamos na barragem do Rio São Bento debaixo de vento e chuva e o dia clareando com poucas núvens no litoral. Esperamos amanhecer para saber o que estava acontecendo e resolvemos entrar no Cânion mesmo com chuva, o setor da Serrinha tem a vantagem do acampamento seco debaixo do teto e muitas vias para abrir onde não molha a parede, fomos mais da metade da trilha com chuva.
A 1ª vez que ví uma foto da parede, uma linha me chamou atênção, um diedro formando um arco muito lindo no lado esquerdo da parede, abri a falconídeo que fica ao lado e não tinha achado a base da via que foi a  última que achei do leste do setor. Comentei com o Sapo sobre o diedro e resolvemos entrar nele, estava cabreiro pois a fenda fica em direção ao diedro e a parede do diedro é negativa. Abri a 1ª cordada de uns 15m em chaminé/diedro protegendo nas raízes e fenda até uma árvore boa onde ficou de P1, o Sapo tocou a segunda cordada, 4m de trepa mato até chegar na fenda e mais 21m de diedro até uma árvore pequena que ficou de P2, não conseguia ver o Sapo e só ouvia ele dizer "que coisa linda", até ouvir os gemidos do Sapo, aiaiaiaiaia, e o saco de magnésio balançando, não sabia se liberava corda ou retasava e o Sapo sem me responder, fui descobrir, a agarra do pé quebrou e ficou com a mão entalada na fenda em um esticão, depois de passar o lance e saber o que tinha acontecendo a cena ficou de piada até agora, kkkkkkkkkk.
Subi limpando até a P2, animal, uma cordada muito linda, um crux de 5º sup na saída do trepa mato e depois toca um 5º grau até a P2 naquele diedro de peça #2 e #3, há blocos soltos na P2, perigo. Continuei conquistando a 3ª cordada, saída num chaminé bom pra proteger fazendo um esticão depois no diedro cego, quase um teto, até a fenda voltar, toquei mais 15m em lance fácil de 4ºsup e bati a P3. A parada ficou tripla de chapeletas, o arenito não é dos melhores, e o rapel foi direcionado até a P2, depois até a P1 e chão. Tomar cuidado com o rapel, levar uma corda  e deixar fixa na P1 ou P2, ou 2 cordas de 60m e rapelar até o chão. A P3 pode ser equalizada com móvel com peças pequenas para reforço.
Graduação sugerida para a via, lembrando que precisa de repetições para confirmar: 5ºsup VIsup E2 55m toda em móvel, conquistadores: Filipe Ronchi e Sapo.
Sapo na saída do trepa mato entrando no diedro, segunda cordada

Sapo na P2


Boca na orelha no meio do diedro

lance do "aiaiaiai" do Sapo, kkkkkkk, ruim pra entalar o pé e sem agarras 

início da 3ª cordada, eu na chaminé

protegendo depois do esticão, fenda cega mas com movimentos fáceis em agarras

terceira parada

Sapo na P2

visão da P3 no final de tarde 

Croqui da via Transamazônica
Sexta feira acordei com o "estrondo" de um bugio em plena 5hs da manhã, era o bugio de um lado e o Sapo do outro, isso que estava uns 10m entre as barracas, kkkkkk. Final de semana movimentado, macacos pregos pulando de galho em galho e nos espiando enquanto rapelavamos da transamazônica, bugio na madrugada, uma caninana gigante e o nosso amigo Tony apareceu também no setor umas 10hs da manhã, repetimos a Falconídeo batemos foto da caninana de quase 2m no acampamento e deixamos o setor, ficou a saudade e a vontade de estar lá novamente conquistando novas vias o mais rápido possível. Novas linhas no setor oeste já estão na mira.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Mais uma investida

Saímos de Içara com intenção de mais uma investida no Setor da Serrinha, desta vez vieram o Sapo de Laguna e o Bruno de Garopaba para ajudar nas conquista.



Chegamos cedo no setor, saímos as 4:30hs da manhã, levei eles para conhecer as vias e possibilidades de novas e voltamos, começou a chover e tivemos que ir para debaixo do teto.  Debaixo do teto existe dezenas de possibilidades de boulders e vias esportiva, a diversão é garantida.
                                                          Bruno analisando as linhas no teto

Antes mesmo de parar de chover eu e o Sapo entramos na via lepidópteros, via que comecei semana passada com o Tony, o Bruno teve que ficar embaixo só vendo e babando, ele se machucou antes de escalar, perdeu a unha do dedão da mão. Mesmo após a chuva a parede estava seca, o negativo final da via protege da chuva.
O Sapo guiou a 1ª cordada para se acostumar com o tipo de escalada e seguiu abrindo a 2ª cordada assim que subi limpando. Começou bem num chaminé em "V" bem estranha, a 1ª proteção é longe, um lance exposto, subiu mais uns 10m passando por um trecho com blocos grandes negativo até chegar num diedro, passou uma parte com peças pequenas, colocou duas peças bomba e desceu.














Eu numa parada móvel intermediária
Continuei após esse diedro por um outro chaminé de meio corpo num diedro com a borda arredondada e o final negativo. Para proteger tinha que ser bem pra dentro, nas pontas dos dedos. Do final do chaminé pra cima a fenda ficava de dedo e a parede muito negativa. Bati uma chapa para continuar a 3ª cordada em artificial até a P3.
Domingo antes do sol nascer já estávamos na parede, julmariamos até a P2 e o Sapo tocou pra cima em artificial, foram quase 3hs de artificial limpando a fenda para entrar os tcu's, micro nuts, rurp e pecker até bater a P3 no final da fenda. O rapel ficou até o chão com 2 cordas de 60m totalmente negativo. 










batendo a parada



limpando a via



                               uma peça de cima sacou e o pendulo foi grande, não passava uma agulha, hehehhehe
                        




rapel todo negativo



final do rapel


Graduação sugerida: D3 6ºsup VIIb E2/3 A2 60m toda em móvel, duas paradas duplas e uma simples equalizada com móvel, 1ª cordada de 15m, 2ª de 30m e a 3ª de 15m. Lembrando que a via precisa de repetições para chegar a um consenço da graduação. Não sei se a via vai parar por ai, dependendo do que tem pra cima dá pra tocar até o cume, mais 50m fixo.
Quem vai repetir?

Abraço.