A previsão era de sol com chuva, frio e calor, eu e o Sapo saímos na 5ª feira início do feriado de páscoa as 5 da madruga em direção ao Cânion da Serrinha. O tempo estava bom em Içara, mas tinha uma tempestade de raios na região da Serra, chegamos na barragem do Rio São Bento debaixo de vento e chuva e o dia clareando com poucas núvens no litoral. Esperamos amanhecer para saber o que estava acontecendo e resolvemos entrar no Cânion mesmo com chuva, o setor da Serrinha tem a vantagem do acampamento seco debaixo do teto e muitas vias para abrir onde não molha a parede, fomos mais da metade da trilha com chuva.
A 1ª vez que ví uma foto da parede, uma linha me chamou atênção, um diedro formando um arco muito lindo no lado esquerdo da parede, abri a falconídeo que fica ao lado e não tinha achado a base da via que foi a última que achei do leste do setor. Comentei com o Sapo sobre o diedro e resolvemos entrar nele, estava cabreiro pois a fenda fica em direção ao diedro e a parede do diedro é negativa. Abri a 1ª cordada de uns 15m em chaminé/diedro protegendo nas raízes e fenda até uma árvore boa onde ficou de P1, o Sapo tocou a segunda cordada, 4m de trepa mato até chegar na fenda e mais 21m de diedro até uma árvore pequena que ficou de P2, não conseguia ver o Sapo e só ouvia ele dizer "que coisa linda", até ouvir os gemidos do Sapo, aiaiaiaiaia, e o saco de magnésio balançando, não sabia se liberava corda ou retasava e o Sapo sem me responder, fui descobrir, a agarra do pé quebrou e ficou com a mão entalada na fenda em um esticão, depois de passar o lance e saber o que tinha acontecendo a cena ficou de piada até agora, kkkkkkkkkk.
Subi limpando até a P2, animal, uma cordada muito linda, um crux de 5º sup na saída do trepa mato e depois toca um 5º grau até a P2 naquele diedro de peça #2 e #3, há blocos soltos na P2, perigo. Continuei conquistando a 3ª cordada, saída num chaminé bom pra proteger fazendo um esticão depois no diedro cego, quase um teto, até a fenda voltar, toquei mais 15m em lance fácil de 4ºsup e bati a P3. A parada ficou tripla de chapeletas, o arenito não é dos melhores, e o rapel foi direcionado até a P2, depois até a P1 e chão. Tomar cuidado com o rapel, levar uma corda e deixar fixa na P1 ou P2, ou 2 cordas de 60m e rapelar até o chão. A P3 pode ser equalizada com móvel com peças pequenas para reforço.
Graduação sugerida para a via, lembrando que precisa de repetições para confirmar: 5ºsup VIsup E2 55m toda em móvel, conquistadores: Filipe Ronchi e Sapo.
Sapo na saída do trepa mato entrando no diedro, segunda cordada
Sapo na P2
Boca na orelha no meio do diedro
lance do "aiaiaiai" do Sapo, kkkkkkk, ruim pra entalar o pé e sem agarras
início da 3ª cordada, eu na chaminé
protegendo depois do esticão, fenda cega mas com movimentos fáceis em agarras
terceira parada
visão da P3 no final de tarde
Croqui da via Transamazônica
Sexta feira acordei com o "estrondo" de um bugio em plena 5hs da manhã, era o bugio de um lado e o Sapo do outro, isso que estava uns 10m entre as barracas, kkkkkk. Final de semana movimentado, macacos pregos pulando de galho em galho e nos espiando enquanto rapelavamos da transamazônica, bugio na madrugada, uma caninana gigante e o nosso amigo Tony apareceu também no setor umas 10hs da manhã, repetimos a Falconídeo batemos foto da caninana de quase 2m no acampamento e deixamos o setor, ficou a saudade e a vontade de estar lá novamente conquistando novas vias o mais rápido possível. Novas linhas no setor oeste já estão na mira.